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21 de abril de 2018

“Bolsonaro não representa o Exército” diz general Comandante Militar do Sul



GENERAL EDSON LEAL PUJOL TAMBÉM MINIMIZOU DECLARAÇÃO FEITA PELO COMANDANTE DO EXÉRCITO ANTES DE JULGAMENTO DO HABEAS CORPUS DE LULA PELO STF


Gabriel Jacobsen
Porto Alegre (RS) – Após participar de cerimônia na Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (17), o general Edson Leal Pujol, comandante Militar do Sul, avaliou que o Brasil não deseja governos militares. Segundo ele, a população acredita em valores associados às Forças Armadas, mas não quer que elas comandem o país.
— Uma parcela das pessoas tem se manifestado, por diversos meios, dizendo que confia nas instituições militares. Mas não que quer que o país se transforme em um militarismo. Vivemos um período de turbulência, a população enxerga nas instituições militares valores éticos e morais. Não vejo que estejam buscando o militarismo para o Brasil — avaliou.
O comandante também disse não haver riscos de que o país passe agora por um processo semelhante ao de 1964 – quando começou o regime militar – porque, segundo ele, não há a polarização mundial percebida à época.
— Se nós analisarmos historicamente, os períodos são distintos, até mesmo na área internacional. O mundo vivia um cenário bipolar, um movimento internacional buscando expandir a doutrina socialista e comunista em muitos países. Hoje vivemos muito mais uma crise interna, não por questões ideológicas — disse.
O general também minimizou as afirmações feitas pelo comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, que se manifestou, na véspera do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula pelo Supremo Tribunal Federal (STF), apontando que a instituição “compartilha o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade (…), bem como se mantém atento às suas missões institucionais”.
Para Pujol, o entendimento de setores políticos de que a afirmação de Villas Bôas foi uma tentativa de pressão sobre o STF não procede.
Vivemos um período de turbulência, a população enxerga 
nas instituições militares valores éticos e morais.
EDSON LEAL PUJOL
Comandante Militar do Sul
— Essa interpretação sobre a manifestação do comandante do Exército é muito diversa. Não foi essa (de pressão) a intenção do comandante do Exército. Nós nos colocamos pelo princípio da legitimidade e da legalidade.
Pujol ainda falou sobre o pré-candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL-RJ) que, para ele, não representa o Exército brasileiro, sendo apenas um militar reformado que “há muito tempo está na vida política”.
— Bolsonaro não representa o Exército (…) muitas das ideias que externa, ele aprendeu na vida militar, mas ele não é um candidato do Exército ou um candidato militar — disse.
Pujol foi um dos mais de cem militares que acompanharam o período do Grande Expediente da sessão da Assembleia desta terça-feira. Por proposta do deputado Bombeiro Bianchini (PR), o ato homenageou o Dia do Exército, celebrado em 19 de abril.

'A impunidade não foi resolvida porque há um forte núcleo de resistência no STF', diz Gabeira


Imagem: Produção Ilustrativa / Política na Rede


















O jornalista Fernando Gabeira, em artigo publicado no jornal O Globo, diz que o combate à impunidade no Brasil esbarra na aliança entre políticos corruptos que lutam para permanecer no poder e ministros do Supremo Tribunal Federal. Segundo Gabeira, "Essa aliança de políticos que não dependem do voto de opinião com ministros do STF engajados na defesa da impunidade, ou embriagados nas suas teses generosas, é uma constelação difícil de ser batida".


Leia abaixo o artigo completo:
O verão está no fim. Sinto pela temperatura da água, pelos ventos mais frios. Na Europa, segundo Hermann Hesse, há verão que tem morte súbita: uma trovoada, dias de chuva e ele não volta mais.
Não é adequado falar das estações do ano numa página de política. Elas nos remetem à passagem do tempo, aos lances da vida passada, e só servem para ressaltar a tristeza do momento no Brasil.
Caminhamos para uma eleição imprevisível não apenas por causa das pessoas que a disputam, mas também pela falta de dados sobre o que farão, caso cheguem ao poder.
Fica difícil olhar para a frente. A questão da impunidade não foi resolvida porque há um forte núcleo de resistência no STF.
Os ministros desse núcleo não consideram o caso encerrado, pelo contrário, estão dispostos a uma luta permanente, a uma guerrilha técnica para soltar os que estão presos e impedir a prisão dos que ainda estão na rua.
Lewandowski e Toffoli são simpáticos ao PT e desprezam a luta contra a corrupção, talvez pela própria análise da esquerda que a considera um fato de pé de página nos livros de história.
Gilmar Mendes não tinha essa posição, mas ao longo desses anos tornou-se um grande adversário da Lava-Jato. Na sua fúria, ele se identifica com a esquerda na medida em que quer soltar os que estão presos e, se possível, prender juízes e procuradores.
Juntam-se a eles Marco Aurélio e Celso de Mello, que parecem comprometidos com uma generosa tese jurídica e pouco se importam com suas consequências catastróficas na vida real brasileira.
Não vou repetir o mantra de que a sociedade está dividida: este mito é um bálsamo para as minorias. A sociedade apoia maciçamente a Lava-Jato e quer punição para os culpados.
Mas o que pode a sociedade contra eles? No seu delírio de mil e uma noites na Al Jazeera, Gleisi Hoffmann disse que a imprensa manda no Supremo. Sabemos que não é assim. A imprensa reflete um clamor social contra a impunidade. O próprio comandante do Exército se viu obrigado a manifestar sua opinião sobre o tema, possivelmente por sentir que o clamor também chega às suas tropas.
Mas falta a dimensão política. O sistema partidário adotou uma posição defensiva. Todas as suas energias se voltam para neutralizar a Lava-Jato. Objetivamente, joga suas esperanças nas tramas do núcleo resistente do Supremo.
Essas duas forças, o sistema político partidário (nos bastidores) e o núcleo do STF (na frente da cena) são os artífices da tentativa de bloquear as mudanças no Brasil.
Nem sempre os políticos atuam apenas nos bastidores. De vez em quando, como aconteceu agora, surge um projeto destinado a limitar investigações e a tornar mais fácil a vida dos gestores corruptos.
Essa aliança de políticos que não dependem do voto de opinião com ministros do STF engajados na defesa da impunidade, ou embriagados nas suas teses generosas, é uma constelação difícil de ser batida.
Ela significa que ainda teremos dias difíceis pela frente. O único grande problema para todos nós será o de manter a raiva popular dentro dos limites pacíficos.
Tanto juízes como políticos envolvidos na sua teia de interesses, míopes diante da realidade que os cerca, não hesitam em colocar em risco a democracia.
Alguns são muito corajosos, outros apenas irresponsáveis. Será difícil buscar o horizonte, se não resolvermos essa questão. Ela está atravessada no futuro imediato do Brasil.

Politica na Rede

Brasil e outros 5 países suspendem participação na Unasul


A Unasul foi criada em 2008 por iniciativa de Lula, Chávez e Kirchner
Imagem: Reprodução / Redes Sociais




















O Brasil junto com Argentina, Paraguai, Colômbia, Chile e Peru anunciaram na
quinta-feira que irão suspender por tempo indefinido sua participação na
União das Nações Sul-Americanas (Unasul).


A decisão de suspender a participação na organização foi tomada em Lima, em uma
reunião à margem da Cúpula das Américas. De acordo com declarações nesta sexta-feira,
diplomatas se reuniram com a intenção de tentar encontrar uma solução para a paralisia
do bloco, mas sem sucesso.


O grupo de seis países —que reúne as nações mais ricas da região— tenta uma ação
mais radical para forçar uma ação da Unasul. Os seis cobram a indicação do embaixador
argentino José Octávio Bordón como novo secretário-geral.


Bordón foi indicado pela Argentina no início do ano passado e foi apoiado pelo Brasil e
pelos outros países do grupo. O governo brasileiro defendia que a presença do argentino
à frente do bloco diminuiria o viés político da Unasul, até então dominada pelos países
ditos bolivarianos. No entanto, não houve consenso para a nomeação de Bordón e, desde
então, o bloco está praticamente inativo.


A divisão entre os chamados bolivarianos e conservadores, que hoje domina a organização,
impede que sejam tomadas decisões por consenso, como exigido pelo estatuto do bloco.


Segundo uma fonte do Itamaraty, a nomeação de Bordón como secretário-geral está sendo
bloqueada pela Venezuela, embora isso nunca tenha sido colocado de forma aberta nem
tenha sido apresentada uma alternativa.


Ao mesmo tempo, disse a fonte, os países não conseguem consenso para suspender a
Venezuela como fizeram no Mercosul.


A decisão do Brasil e dos outros cinco países de suspender sua participação na Unasul
“é uma tentativa de se fazer alguma coisa, encontrar uma solução”, disse a fonte do Itamaraty.
“Ninguém quis ainda decidir sair da Unasul, mas se nada acontecer alguém vai
acabar saindo”, acrescentou.


Em carta enviada ao chanceler da Bolívia, Fernando Huanacuni —que ocupa a presidência
pro-tempore do bloco—, os ministros das Relações Exteriores dos seis países informaram
que deixariam de participar das atividades da Unasul a partir da última quarta-feira.


Na quinta-feira, o Itamaraty enviou um comunicado aos demais órgãos do governo brasileiro
avisando da decisão. De acordo com o texto, ao qual a Reuters teve acesso, os seis países
trataram, em sua carta a Huanacuni, de um “conjunto de problemas relacionados ao
funcionamento da organização” mas, principalmente da situação de “acefalia” do bloco.


Na prática, a Unasul está paralisada há um ano e meio.


“É preciso esclarecer que a nota que deixaram em nossa embaixada (da Bolívia no Equador)
à presidência pro-tempore da Bolívia, não mencionam a palavra ‘abandonam’, mas sim
que já não participarão das reuniões das instâncias (da Unasul), mas continuam, são
membros, somente que estão pedindo que se acelere a designação do secretário-geral”,
disse Huanacuni, em entrevista telefônica ao canal estatal.


“A presidência pro-tempore da Bolívia está convocando uma reunião extraordinária da Unasul
para que, no marco do diálogo de alto nível, se viabilize a designação do novo
secretário-geral e se encaminhe as soluções dos temas pendentes. Agora se está na etapa
de consultas para acertar as agendas correspondentes e chegar a um consenso para
esta importante reunião”, acrescentou.


DIFICULDADE DE CONSENSO


Uma fonte do Ministério das Relações Exteriores do Peru reforçou a dificuldade para
se chegar a consensos na Unasul.


“A Unasul funciona por meio de consenso e dentro de Unasul há tal discrepância entre os
membros sobre as visões políticas e econômicas que a torna inoperante”, disse a fonte
peruana.


“É bem difícil chegar a um consenso quando há diferenças de opiniões tão marcadas... está
implícito que este mecanismo já não tem sentido”, acrescentou. “Como não resolve
nada, (a Unasul) acaba sendo um gasto supérfluo, pagando cotas por una coisa que
não serve.”


Uma porta-voz da chancelaria argentina confirmou à Reuters o envio da carta ao chanceler
boliviano.


“O novo é a carta que enviamos ao chanceler da Bolívia, expressando a desconformidade”,
disse. “Não participar das instâncias e atos enquanto estiver tudo assim, sem secretário-geral
e com a organização parada”, acrescentou.


Na chancelaria chilena, informaram que a decisão de não participar da Unasul valerá “até
que existam resultados concretos que garantam o funcionamento adequado da organização”.


A Unasul foi criada em 2008 por iniciativa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos
ex-presidentes da Venezuela Hugo Chávez e da Argentina Néstor Kirchner, com a intenção
de aumentar a integração regional. As mudanças dos governo dos países, no entanto, com
um viés mais de direita, como Paraguai, Argentina, Brasil, Peru e, agora, Chile, mudaram a
configuração do bloco e selaram a divisão na região.


Politica na Rede

Joaquim embaralha o jogo

Mesmo ainda não oficializada, a candidatura do ex-ministro do STF a presidente sacode as eleições: ele é visto como o candidato que moralizará o País

Crédito: Bruno Santos/ Folhapress
PERFIL IDEAL Seu nome disparou nas pesquisas. Joaquim sintetiza o que o povo quer: um candidato ético (Crédito: Bruno Santos/ Folhapress)


Em dezembro do ano passado, uma delegação de nove deputados do PSB foi conversar com o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa, em seu escritório de advocacia no bairro do Jardim Paulista, em São Paulo. O articulador da reunião, o líder do PSB na Câmara, Júlio Delgado (MG), pediu a todos que chegassem uma hora antes e que se reunissem primeiro numa padaria próxima do escritório. “Olhem só, ele não é fácil”, advertiu Delgado. “É muito formal, fechado. Exige ser tratado como ministro. Vamos, então, com cuidado”. Para surpresa de todos, Barbosa recebeu-os com sorrisos. O deputado César Messias (AL) não se conteve: “Ministro, o Júlio Delgado fez todo mundo chegar uma hora antes, cheio de recomendações sobre como tratar o senhor”. Barbosa sorriu: “É porque ele é mineiro e desconfiado, como eu”. Risos gerais. O ex-ministro acabava de ser mordido pela mosca azul da política.


Se desde então ainda havia dúvidas em Joaquim Barbosa quanto ao projeto de disputar a Presidência, elas diminuíram significativamente com a pesquisa Datafolha, publicada no domingo 15. Posto pela primeira vez como alternativa, Barbosa oscila nas intenções de voto entre 8% e 10%. Ele já aparece em terceiro lugar, atrás apenas de Jair Bolsonaro (PSL), com 17%, e Marina Silva (Rede), com 15%. Tem mais intenções de votos do que Geraldo Alckmin (PSDB), que varia entre 6% e 8%.


Apoio às reformas

A entrada de Barbosa embaralha o jogo porque, como mostra a pesquisa, ele tira votos tanto da chamada direita como da esquerda, além de interferir mais diretamente nas candidaturas do centro. Joaquim não é dado a conceder entrevistas, mas desde que deixou o STF, aposentando-se precocemente por causa de fortes dores na coluna em 2014, tem usado muito as redes sociais para se expressar. E, por esses meios, apresenta uma plataforma de idéias que mescla posições mais de esquerda nos costumes com outras mais liberais na economia. Ele defende, por exemplo, a privatização de estatais desde que não se mexa nas chamadas “joias da coroa” como a Petrobras. Defende reformas estruturais como a da Previdência, desde que também se vá em cima das empresas devedoras.

Mas o que explica o fato de um ex-ministro do STF, há quatro anos aposentado e afastado do noticiário, que nunca teve militância político-partidária, ter tal capacidade de embaralhar um jogo sucessório dos mais complexos já vividos pelos brasileiros? “Ele entra no perfil ideal do que quer o eleitor. Tem origem humilde, carrega a bandeira do combate à corrupção e não está envolvido em problemas éticos”, afirmou Murilo Hidalgo, diretor do Instituto Paraná Pesquisas. Na condução do processo do mensalão, ele ganhou notoriedade nacional ao enfrentar o poder político e econômico de maneira até então jamais vista no País: 25 políticos do PT, incluindo o ex-ministro José Dirceu, foram condenados por corrupção.



Nem tudo são flores. Na quinta-feira 19, Joaquim Barbosa pôde sentir o peso de problemas regionais que sua candidatura a presidente representa dentro do PSB. Ao participar da primeira reunião com a cúpula do partido, em Brasília, para analisar o lançamento de sua candidatura, ele percebeu que vai ter que vencer fortes opositores internos. Ladeado pelo presidente Carlos Siqueira e pelo secretário-geral Renato Casagrande, Joaquim ainda não falou como o candidato, mas foi o centro das atenções. O ex-ministro disse que ainda não se sentia candidato: “Ainda falta muita coisa”, disse Joaquim após a reunião.

Comissão eleitoral

Para vencer as resistências, Siqueira criou uma “comissão eleitoral”, formada pela executiva do partido e por seus quatro governadores. A reunião com Joaquim na quinta-feira já contou com a presença dos integrantes desse grupo. Quando desceu de seu carro, ele assustou-se. Havia um grupo de cerca de 20 militantes da Negritude Socialista Brasileira, movimento negro ligado ao PSB. Pretendiam fazer Barbosa entrar na sede do partido debaixo de uma chuva de pétalas de rosa. Ele evitou o grupo. Virou para o lado direito contornando-os. Com o movimento, despistou também um pelotão de jornalistas. “Que aparato foi esse?”, espantou-se, após subir os três lances de escada até a sede do PSB. “Foi o senhor que trouxe essa gente para cá, ministro”, respondeu o vice-presidente do PSB, Beto Albuquerque.


“Ainda falta muita coisa para ser candidato. Eu mesmo não me convenci” Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF
A manutenção das resistências ficaram explicitadas na reunião, quando governador Márcio França (SP), que é também o secretário nacional de Finanças do partido, deixou o encontro apenas 30 minutos depois dele começar. Fez elogios a Joaquim, mas foi taxativo: “A melhor opção para o País é Alckmin”. Ricardo Coutinho também saiu antes. “A pesquisa Datafolha foi realmente um fator muito importante, mas ainda não definitivo”, disse o governador da Paraíba, que deixou clara sua opção por fazer uma aliança com o PT. Ao final da reunião, ao falar pela primeira vez com os jornalistas, o próprio Barbosa disse saber que há questões regionais a serem contornadas. Mais do que isso. Ainda pesam questões pessoais. “Eu mesmo ainda não me convenci a ser candidato”, afirmou. Aparecer, no entanto, já de saída, como terceiro colocado, é algo que impacta o ministro. “Para quem não frequenta o ambiente político, não dá entrevistas e tem uma vida pacata, foi muito boa a pesquisa”, disse. “Nós já sabemos que ele tem potencial para ir ainda bem mais longe”, avalia Carlos Siqueira.



Um estudo realizado pela empresa Idéia Big Data, divulgado pelo jornal Valor Econômico, indicou que eleitores das classes C, D e E acreditam que ele reúne características de duas figuras de destaque no cenário nacional: as do juiz Sergio Moro e as do ex-presidente Lula. Ou seja, possui qualidades no combate à corrupção e empatia com os mais pobres — uma combinação eleitoral poderosa. No estudo, Barbosa chegou a ser citado como “Batman”, “Cavaleiro das Trevas” e “Cruzado de Capa”, uma clara demonstração à imagem de “herói” que o ex-ministro carrega. Os eleitores ainda enxergam nele semelhanças com a biografia de Lula. Barbosa é visto “como um batalhador, vencedor, o menino pobre que venceu na vida”. O ex-ministro não vem de uma linhagem política e nem de grupos econômicos poderosos. Pelo contrário, tem uma história que o aproxima da maioria dos eleitores. Nasceu em lar humilde, filho de um pedreiro e uma faxineira, primogênito de oito irmãos, estudou com dificuldade, formou-se em Direito e chegou à presidência do STF, o lugar mais alto que um advogado pode chegar.“

Joaquim Barbosa possui qualidades no combate à corrupção e empatia com os mais pobres”, diz estudo da empresa Idéia Big Data


Um presidente negro
“Ele encarna a necessidade de renovação política, mas mantendo princípios e valores claros, trazidos da sua atuação no Supremo”, resume o deputado Júlio Delgado, um dos mais ardorosos defensores da sua candidatura. Em maio do ano passado, o ex-ministro fez uma provocação nas redes sociais: “Será que o País estaria preparado para ter um presidente negro?”. Ao ler a frase, Júlio Delgado pediu uma audiência com Barbosa. Foi ao seu encontro no seu escritório de advocacia em Brasília. Encontrou um Joaquim formal, grave e rigoroso. “Pois não? Em que lhe posso ser útil?”, perguntou Joaquim. “Vim aqui porque fui provocado pelo senhor. Acho que o Brasil está mais do que preparado para ter um presidente negro”.
A partir daí, as conversas evoluíram. O presidente do PSB, Carlos Siqueira, comprou a idéia. Tem sido ele o responsável por tentar quebrar as resistências internas. “Aparentemente, Joaquim é o candidato que queremos. Mas ainda precisamos conhecê-lo melhor”, disse Siqueira a ISTOÉ, demonstrando os cuidados de cravar a candidatura antes de todo o périplo de conversas do ex-ministro com os líderes do partido. Inicialmente, Barbosa dizia que só entraria no PSB se o partido garantisse que ele seria candidato à Presidência. “Ministro, isso não tenho como garantir. A candidatura vai precisar passar por conversas internas. Nem o Eduardo Campos (ex-governador de Pernambuco morto em um desastre aéreo na campanha de 2014) conseguiu isso”.
“Ele terá que aprender a lidar com o meio político e minimizar sua
personalidade autoritária”Murilo Hidalgo, presidente do Instituto 
Paraná Pesquisas
O namoro durou oito meses até que Barbosa, enfim, assinasse a filiação ao partido no dia 6 de abril. Mas o longo tempo de maturação das conversas no PSB demonstram que ainda há muito chão para pavimentar a estrada que vai levar Barbosa à Presidência. Para Murilo Hidalgo, ele “terá que aprender a lidar com o meio político e minimizar sua personalidade autoritária”. Pesa contra o ex-ministro, e isso também foi identificado no estudo da Big Data, justamente seu temperamento explosivo e falta de paciência. Durante o mensalão, Barbosa abusou de discussões e trocas de farpas com colegas de Corte, especialmente com os ministros Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes. Em 2009, ele chegou a dizer a Gilmar Mendes: “Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso”. Barbosa foi também condenado em segunda instância por ofender um jornalista, dizendo que ele deveria “chafurdar na lama”. Sua sorte é que condenação por crimes de opinião não entram na vedação prevista na Lei da Ficha Limpa e ele pode ser candidato. Contornando as cascas de banana pelo caminho, Joaquim já tem a receita para um bom plano de governo: respeitar a Justiça, a ética e a moralidade.

APARANDO ARESTAS Na primeira reunião com a cúpula do PSB para discutir sua candidatura, Joaquim enfrentou resistências (Crédito:Ueslei Marcelin)


O Pensamento de Joaquim Barbosa

> PRISÃO NA SEGUNDA INSTÂNCIA
“Se tivermos que esperar os deslocamentos de recursos, o processo jamais chegará ao fim. Não conheço nenhum país que ofereça aos réus tantos meios de recursos como o nosso”

> FORO PRIVILEGIADO
“O foro privilegiado é a racionalização da impunidade”

> DOAÇÕES DE EMPRESAS NAS ELEIÇÕES
“Permitir doação de empresa para campanhas eleitorais em um país que tem o patrimonialismo no seu DNA, só podia dar nisso: colossal corrupção”

> REELEIÇÃO
“A reeleição é o fator multiplicador de práticas de corrupção no nosso país. Nenhuma democracia sobrevive sem alternância de poder”

> POSICIONAMENTO POLÍTICO
“Sou um social democrata clássico, ao estilo europeu. O capitalismo é isso aí, temos que encontrar meios de mitigar os seus efeitos deletérios e aproveitar o seu lado bom, como o do empreendedorismo”

> EDUCAÇÃO PÚBLICA
“Meu sonho: termos dirigentes que saibam o efeito profundo que a educação disseminada e de qualidade tem sobre o desenvolvimento de um país”

> PRIVATIZAÇÕES
“Deve-se retirar o Estado de atividades econômicas nas quais não deveria estar, reservando-a a serviços públicos”

> REFORMA DA PREVIDÊNCIA
“A Previdência Social consome em média 24% de todo o Orçamento Geral da União. Isso significa, no mínimo, que se esse enorme gasto não for revisto e razoavelmente regulamentado, a economia colapsa”

> REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL
“Quem conhece as prisões brasileiras (e os estabelecimentos de “ressocialização” de menores) não apóia essa insensatez”

> UNIÃO HOMOAFETIVA
“O não reconhecimento da união homoafetiva simboliza a posição do Estado de que a afetividade dos homossexuais não tem valor e não merece respeito social. Aqui reside a violação do direito à dignidade da pessoa humana”

ISTOÉ
https://istoe.com.br/joaquim-embaralha-o-jogo/

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